Foster Brown
02-19-2010, 09:12 PM
Segue uma reportagem sobre a usina Cachoeira Esperança do www.amazonia.org.br: http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=345506
Pesquisador aponta impactos de projeto hidrelétrico em rio boliviano - 19/02/2010
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br
Em carta divulgada à imprensa, o pesquisador do Instituto de Hidráulica e Hidrologia da Bolívia, Jorge Molina Carpio, criticou o projeto da Empresa Nacional de Eletricidade (ENDE) boliviana, de construir a hidrelétrica Cachoeira Esperança, no rio Beni, formador do rio Madeira (RO).
De acordo com o estudioso, a obra causará inundação superior à das usinas brasileiras de Jirau e Santo Antônio, além de ser incompatível com o projeto da usina de Ribeirão, a ser instalada no trecho binacional do rio Madeira.
"O problema da incompatibilidade entre Ribeirão e Cachoeira Esperança foi traçado há vários anos e está relacionado com a topografia. O nível normal na futura barragem de Ribeirão submergiria a casa de máquinas do projeto Cachoeira Esperança e eliminaria a maior parte da queda disponível para gerar energia", explica.
Molina afirma, em sua carta, que um dos motivos para que essa possível consequência da construção da usina não tenha sido levada em conta é a falta de pesquisas das alternativas de aproveitamento hidrelétrico e navegação fluvial dos rios Madeira, Mamoré e Beni, exigidas conforme contrato da ENDE com a empresa responsável pelos estudos do projeto, a consultora canadense Tecsult.
Segundo o pesquisador, foi dado o prazo de seis meses para a realização dessas análises, que deveriam ter sido concluídas antes do desenho de Cachoeira Esperança. Porém, o contrato com a consultora diz que esse componente se iniciaria "uma vez que a ENDE entregasse ao consultor a informação de topografia levantada para a zona do estudo"
"Essa irregularidade, uma das várias do contrato, teve sérias consequências: na data da oficina (de apresentação do projeto Cachoeira Esperança), em novembro, quinze meses depois da assinatura do contrato, o ENDE não havia concluído o estudo topográfico e, portanto, oficialmente não se havia dado início a esse componente chave", critica.
Para Molina, já que não há possibilidade de convivência entre os dois projetos, o melhor é se optar pela usina de Ribeirão, que teria potência instalada três vezes maior que a de Cachoeira Esperança (3000 contra 990 MW) e manteria a possibilidade de navegação no trecho de cachoeiras do Rio Madeira, além de gerar menor área de inundação.
"As represas sobre grandes rios da Amazônia provocam impactos ambientais negativos não somente no entorno, mas também na bacia de aporte, que é também muito grande. Assim, os efeitos da represa de Santo Antônio ou de Cachoeira Esperança se sentirão a centenas ou milhares de quilômetros de distância, na planície beniana, no Chapare e em Rurrenabaque, sobre os peixes migratórios e os pescadores comerciantes e povos indígenas que dependem deles para sustento", diz trecho da carta.
Veja abaixo o documento produzido pelo pesquisador, em espanhol, na íntegra:
¿ES VIABLE EL PROYECTO CACHUELA ESPERANZA?
Jorge Molina Carpio Instituto de Hidráulica e Hidrología, UMSA
En un taller organizado en noviembre del pasado año por la Empresa Nacional de Electricidad (ENDE) y el Viceministerio de Energía, se presentó por primera vez en La Paz el estudio a diseño final del nuevo proyecto hidroeléctrico Cachuela Esperanza. Como se describe en un reportaje de Bolpress (25/11/09), la información presentada fue pobre, debido tanto a las características del Simposio (no se permitía preguntas a los expositores ni debate), como a las características de la exposición realizada por el consultor canadiense de la empresa Tecsult. Con esa información, que aunque escasa, es la única disponible públicamente hasta el momento, se analiza a continuación la viabilidad técnica, ambiental y económica del proyecto.
El estudio del proyecto hidroeléctrico Cachuela Esperanza en la versión actual, fue encargado a la consultora canadiense Tecsult, bajo contrato firmado en agosto de 2008 por un monto de 8.2 millones de dólares, con un plazo de 11 meses para la entrega del diseño final y del estudio de evaluación de impacto ambiental correspondiente. El diseño presentado por Tecsult muestra una central hidroeléctrica de 990 MW de potencia instalada, que utiliza un caudal medio de 8900 m3/s del río Beni y una caída bruta media de 10.8 m para generar 5.5 Twh de energía media anual. El embalse inundará 690 km2, sin considerar el efecto de remanso. Para fines de comparación, actualmente la demanda máxima en el Sistema Interconectado Nacional es ligeramente superior a 1000 MW y el consumo combinado de las tres ciudades del norte amazónico (Guayaramerín, Riberalta y Cobija) es inferior a los 20 MW.
Desde el punto de vista técnico, es muy probable que el proyecto Cachuela Esperanza sea incompatible con la hidroeléctrica que se ha propuesto construir en el tramo binacional del río Madera y a la que los brasileños dan el nombre de Ribeirao. El Complejo Hidroeléctrico del río Madera, en la visión brasileña, comprende la construcción de cuatro represas hidroeléctricas que aprovechan el desnivel existente en el tramo de cachuelas de los ríos Madera, Mamoré y Beni. Empezando desde el extremo aguas abajo, ellas son: Santo Antonio (3150 MW), Jirau (3300 MW), Ribeirao (3000 MW) y Cachuela Esperanza (800 MW según los brasileños). Las dos primeras están actualmente en construcción en territorio brasileño y, junto con la de Ribeirao, se ubican sobre curso del río Madera. La de Cachuela Esperanza se ubica en territorio boliviano y aprovecha las aguas del río Beni, uno de los dos formadores del Madera.
El problema de la incompatibilidad entre Ribeirao y Cachuela Esperanza fue planteado hace varios años (Molina, 2005) y está relacionado con la topografía. El nivel normal del agua en el futuro embalse de Ribeirao sumergiría la casa de máquinas del proyecto Cachuela Esperanza y eliminaría la mayor parte de la caída disponible para generar energía. El análisis para definir cuales aprovechamientos hidroeléctricos son complementarios y cuales son excluyentes en el Norte Amazónico, forma parte de uno de los componentes del contrato firmado entre ENDE y Tecsult, denominado "Estudio de las alternativas de aprovechamiento hidroeléctrico y navegación fluvial de los ríos Madera, Mamoré y Beni". A este estudio se le otorgó un plazo de 6 meses, por lo que debió concluirse antes del diseño de Cachuela Esperanza. Pero el contrato especifica que ese componente se iniciará "una vez que ENDE entregue al consultor (Tecsult) la información de topografía levantada para la zona de estudio". Esta irregularidad, una de las varias del contrato, ha tenido serias consecuencias: en la fecha del Taller (noviembre de 2009) y 15 meses después de la firma del contrato, ENDE no había concluido el estudio topográfico y por tanto oficialmente no se había dado inicio a ese componente clave.
Si los proyectos de Cachuela Esperanza y Ribeirao son excluyentes entre sí, ¿cuál es el que se debería escoger? Si tomamos en cuenta la visión brasileña y los argumentos expuestos por uno de los expositores del Taller de noviembre, no cabe duda que el proyecto a seleccionar sería el de Ribeirao. De los muchos argumentos existentes, se mencionan tres puramente técnicos: a) la potencia instalada de Ribeirao sería tres veces más grande que la de Cachuela Esperanza (3000 frente a 990 MW), b) solamente la construcción de Ribeirao haría posible la navegación en el tramo de cachuelas del río Madera, c) al aprovechar las caídas naturales que representan las cachuelas, el tramo de río que será inundado es mucho menor que si el proyecto se construyese en un río sin cachuelas. Ribeirao comparte esta ventaja con Jirau y Santo Antonio.
Continuado a bajo.....
Pesquisador aponta impactos de projeto hidrelétrico em rio boliviano - 19/02/2010
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br
Em carta divulgada à imprensa, o pesquisador do Instituto de Hidráulica e Hidrologia da Bolívia, Jorge Molina Carpio, criticou o projeto da Empresa Nacional de Eletricidade (ENDE) boliviana, de construir a hidrelétrica Cachoeira Esperança, no rio Beni, formador do rio Madeira (RO).
De acordo com o estudioso, a obra causará inundação superior à das usinas brasileiras de Jirau e Santo Antônio, além de ser incompatível com o projeto da usina de Ribeirão, a ser instalada no trecho binacional do rio Madeira.
"O problema da incompatibilidade entre Ribeirão e Cachoeira Esperança foi traçado há vários anos e está relacionado com a topografia. O nível normal na futura barragem de Ribeirão submergiria a casa de máquinas do projeto Cachoeira Esperança e eliminaria a maior parte da queda disponível para gerar energia", explica.
Molina afirma, em sua carta, que um dos motivos para que essa possível consequência da construção da usina não tenha sido levada em conta é a falta de pesquisas das alternativas de aproveitamento hidrelétrico e navegação fluvial dos rios Madeira, Mamoré e Beni, exigidas conforme contrato da ENDE com a empresa responsável pelos estudos do projeto, a consultora canadense Tecsult.
Segundo o pesquisador, foi dado o prazo de seis meses para a realização dessas análises, que deveriam ter sido concluídas antes do desenho de Cachoeira Esperança. Porém, o contrato com a consultora diz que esse componente se iniciaria "uma vez que a ENDE entregasse ao consultor a informação de topografia levantada para a zona do estudo"
"Essa irregularidade, uma das várias do contrato, teve sérias consequências: na data da oficina (de apresentação do projeto Cachoeira Esperança), em novembro, quinze meses depois da assinatura do contrato, o ENDE não havia concluído o estudo topográfico e, portanto, oficialmente não se havia dado início a esse componente chave", critica.
Para Molina, já que não há possibilidade de convivência entre os dois projetos, o melhor é se optar pela usina de Ribeirão, que teria potência instalada três vezes maior que a de Cachoeira Esperança (3000 contra 990 MW) e manteria a possibilidade de navegação no trecho de cachoeiras do Rio Madeira, além de gerar menor área de inundação.
"As represas sobre grandes rios da Amazônia provocam impactos ambientais negativos não somente no entorno, mas também na bacia de aporte, que é também muito grande. Assim, os efeitos da represa de Santo Antônio ou de Cachoeira Esperança se sentirão a centenas ou milhares de quilômetros de distância, na planície beniana, no Chapare e em Rurrenabaque, sobre os peixes migratórios e os pescadores comerciantes e povos indígenas que dependem deles para sustento", diz trecho da carta.
Veja abaixo o documento produzido pelo pesquisador, em espanhol, na íntegra:
¿ES VIABLE EL PROYECTO CACHUELA ESPERANZA?
Jorge Molina Carpio Instituto de Hidráulica e Hidrología, UMSA
En un taller organizado en noviembre del pasado año por la Empresa Nacional de Electricidad (ENDE) y el Viceministerio de Energía, se presentó por primera vez en La Paz el estudio a diseño final del nuevo proyecto hidroeléctrico Cachuela Esperanza. Como se describe en un reportaje de Bolpress (25/11/09), la información presentada fue pobre, debido tanto a las características del Simposio (no se permitía preguntas a los expositores ni debate), como a las características de la exposición realizada por el consultor canadiense de la empresa Tecsult. Con esa información, que aunque escasa, es la única disponible públicamente hasta el momento, se analiza a continuación la viabilidad técnica, ambiental y económica del proyecto.
El estudio del proyecto hidroeléctrico Cachuela Esperanza en la versión actual, fue encargado a la consultora canadiense Tecsult, bajo contrato firmado en agosto de 2008 por un monto de 8.2 millones de dólares, con un plazo de 11 meses para la entrega del diseño final y del estudio de evaluación de impacto ambiental correspondiente. El diseño presentado por Tecsult muestra una central hidroeléctrica de 990 MW de potencia instalada, que utiliza un caudal medio de 8900 m3/s del río Beni y una caída bruta media de 10.8 m para generar 5.5 Twh de energía media anual. El embalse inundará 690 km2, sin considerar el efecto de remanso. Para fines de comparación, actualmente la demanda máxima en el Sistema Interconectado Nacional es ligeramente superior a 1000 MW y el consumo combinado de las tres ciudades del norte amazónico (Guayaramerín, Riberalta y Cobija) es inferior a los 20 MW.
Desde el punto de vista técnico, es muy probable que el proyecto Cachuela Esperanza sea incompatible con la hidroeléctrica que se ha propuesto construir en el tramo binacional del río Madera y a la que los brasileños dan el nombre de Ribeirao. El Complejo Hidroeléctrico del río Madera, en la visión brasileña, comprende la construcción de cuatro represas hidroeléctricas que aprovechan el desnivel existente en el tramo de cachuelas de los ríos Madera, Mamoré y Beni. Empezando desde el extremo aguas abajo, ellas son: Santo Antonio (3150 MW), Jirau (3300 MW), Ribeirao (3000 MW) y Cachuela Esperanza (800 MW según los brasileños). Las dos primeras están actualmente en construcción en territorio brasileño y, junto con la de Ribeirao, se ubican sobre curso del río Madera. La de Cachuela Esperanza se ubica en territorio boliviano y aprovecha las aguas del río Beni, uno de los dos formadores del Madera.
El problema de la incompatibilidad entre Ribeirao y Cachuela Esperanza fue planteado hace varios años (Molina, 2005) y está relacionado con la topografía. El nivel normal del agua en el futuro embalse de Ribeirao sumergiría la casa de máquinas del proyecto Cachuela Esperanza y eliminaría la mayor parte de la caída disponible para generar energía. El análisis para definir cuales aprovechamientos hidroeléctricos son complementarios y cuales son excluyentes en el Norte Amazónico, forma parte de uno de los componentes del contrato firmado entre ENDE y Tecsult, denominado "Estudio de las alternativas de aprovechamiento hidroeléctrico y navegación fluvial de los ríos Madera, Mamoré y Beni". A este estudio se le otorgó un plazo de 6 meses, por lo que debió concluirse antes del diseño de Cachuela Esperanza. Pero el contrato especifica que ese componente se iniciará "una vez que ENDE entregue al consultor (Tecsult) la información de topografía levantada para la zona de estudio". Esta irregularidad, una de las varias del contrato, ha tenido serias consecuencias: en la fecha del Taller (noviembre de 2009) y 15 meses después de la firma del contrato, ENDE no había concluido el estudio topográfico y por tanto oficialmente no se había dado inicio a ese componente clave.
Si los proyectos de Cachuela Esperanza y Ribeirao son excluyentes entre sí, ¿cuál es el que se debería escoger? Si tomamos en cuenta la visión brasileña y los argumentos expuestos por uno de los expositores del Taller de noviembre, no cabe duda que el proyecto a seleccionar sería el de Ribeirao. De los muchos argumentos existentes, se mencionan tres puramente técnicos: a) la potencia instalada de Ribeirao sería tres veces más grande que la de Cachuela Esperanza (3000 frente a 990 MW), b) solamente la construcción de Ribeirao haría posible la navegación en el tramo de cachuelas del río Madera, c) al aprovechar las caídas naturales que representan las cachuelas, el tramo de río que será inundado es mucho menor que si el proyecto se construyese en un río sin cachuelas. Ribeirao comparte esta ventaja con Jirau y Santo Antonio.
Continuado a bajo.....